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Quando engravidar: tempo ideal de espera para engravidar após cirurgias uterinas

A remoção cirúrgica de lesões presentes na cavidade uterina é considerada um processo seguro e eficaz, mas que inevitavelmente altera a camada interna desse órgão – o endométrio. Dessa forma, para que a mulher tratada possa engravidar, é necessário que haja um intervalo de tempo ideal entre o procedimento e a concepção. É importante saber, portanto, quanto tempo após submeter-se a esse tratamento torna-se possível e seguro tentar engravidar, isto é, quanto tempo demora para a camada interna do útero se regenerar e tornar-se apta para suportar a gravidez, seja natural, seja resultante de tratamento com reprodução assistida.

Os procedimentos mais comuns são a histeroscopia e a laparoscopia. A primeira é uma técnica cirúrgica em que um pequeno tubo com uma câmera é introduzido no útero, via vaginal, permitindo a visualização das lesões e a sua retirada. Já a laparoscopia é um procedimento cirúrgico em que se introduz pelo umbigo da paciente um instrumento no qual está acoplado uma pequena câmera e uma pinça, tornando-se possível visualizar e remover as lesões. Como exemplos de lesões que necessitam da hisgeroscopia podemos citar os miomas submucosos, os pólipos, o septo uterino e as adesões intrauterinas; essas lesões também se associam à redução da fertilidade e à alta taxa de abortamento.

É possível fazer a avaliação da recuperação pós-cirúrgica do endométrio através de exame de ultrassom, ou ainda pela histeroscopia. Pesquisas atuais concluíram que o tempo para a cicatrização da parte interna do útero é dependente do tipo de procedimento ao qual ele foi submetido. A técnica que permite recuperação mais rápida do endométrio – um mês – é a retirada de pólipos (polipectomia), e a mais demorada – dois a três meses – é a retirada de miomas (miomectomia), e isso acontece porque comumente as últimas são lesões mais profundas do que as primeiras. Outro fator que influencia na recuperação, fora a profundidade da lesão, é a formação pós-cirúrgica de aderências intrauterinas, que são tecidos que se formam dentro do útero durante o processo de cicatrização, mas que podem ser retirados por histeroscopia. Esse segundo procedimento naturalmente provoca um atraso na cicatrização inicial, mas garante uma melhor recuperação da função reprodutiva da paciente.

Dessa forma é importante respeitar esses intervalos após a realização de procedimentos cirúrgicos quando se quer engravidar, para que a concepção e o desenvolvimento do feto se façam em um ambiente seguro e preparado para dar suporte à gestação.

Nos casos em que a retirada dos miomas for realizada pela tecnica laparoscópica o tempo de espera até uma tentativa de gestação dependerá do número de miomas retirados e da profundidade deles na parede uterina o que pode demandar sutura em vários planos.

Cabe lembrar que em alguns casos ambas as técnicas acima não poderão ser utilizadas e a cirurgia deverá ser realizada pela forma tradicional, ou seja, com abertura da parede abdominal. Importante que se saiba que miomas sempre podem ser retirados quando o desejo da mulher seja conservar seu útero.

Por Equipe Fecondare

Fonte:https://fecondare.com.br/artigos/quando-engravidar-tempo-ideal-de-espera-para-engravidar-apos-cirurgias-uterinas/