EndoPelvic - Centro Multidisciplinar de Endometriose
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Dieta de Fertilidade

HISTÓRICO, CLASSIFICAÇÃO E TRATAMENTOS

O número cada vez maior de casos de endometriose e a seriedade dos sintomas da doença vêm preocupando autoridades de países desenvolvidos e em desenvolvimento. Estima-se que de 10% a 14% das mulheres em sua fase reprodutiva (19 a 44 anos) e de 25% a 50% das mulheres inférteis estejam acometidas por esta doença. Por isso, é importante que o diagnóstico seja realizado com precisão, pelo histórico da paciente e pelos exames específicos que mapeiam os órgãos comprometidos, principalmente os órgãos da região pélvica, e permita a classificação da gravidade da doença. Com esta avaliação, profissionais especializados poderão planejar o melhor tratamento da paciente.

UM BREVE HISTÓRICO

Unidos, demonstrou sua teoria para explicar a endometriose baseada no refluxo sanguíneo menstrual que, ao invés de sair totalmente do útero junto com a menstruação, faria o caminho inverso, voltando para as trompas em direção ao abdômen. Com base nesta hipótese, muitos médicos tratavam a endometriose com a retirada do útero e dos ovários, pois, desta maneira, não existiriam os hormônios nem o endométrio ou ciclo menstrual, responsáveis pela doença. Com o tempo, descobriu-se que muitas das pacientes que se submetiam a essas intervenções radicais continuavam com os mesmos sintomas dolorosos. Nos últimos anos, foram feitas algumas observações que colocam esta teoria em questão.

Tais observações incentivaram a busca para novos conceitos, que têm levado a um diagnóstico mais preciso e a um tratamento mais eficaz.

CLASSIFICAÇÃO

A endometriose é uma doença enigmática e tem merecido classificações que procuram identificar a localização das lesões, o grau de comprometimento dos órgãos e a severidade da doença. Embora grande parte das clínicas utilize a classificação da American Fertility Society, que divide a doença em mínima, leve, moderada e severa, recentes avanços na pesquisa da doença recomendam uma nova classificação em três diferentes tipos. Todos os três têm o nome de endometriose, mas são consideradas doenças diferentes, pois não possuem a mesma origem e por isto recebem tratamentos diferenciados. Esta divisão tem facilitado o tratamento e a cura, e mostra a importância do médico especialista em conhecer cada detalhe que envolve a doença, conseguindo- se, assim, separar “o joio do trigo”.

Endometriose superficial ou peritoneal

São lesões espalhadas na superfície do interior do abdômen. Podem estar disseminadas, atingindo até mesmo o diafragma. Embora sejam superficiais, muitas vezes estão localizadas sobre órgãos nobres, como intestino, bexiga e ureter, e por isso os cuidados cirúrgicos devem ser bem observados, para que evitem complicações. Os sintomas mais comuns são: cólica, menstruação irregular e infertilidade. O exame clínico não apresenta alterações importantes, o ultrassom não demonstra imagens características, e os marcadores que podem sugerir a presença da doença, dosados no sangue (CA125 e outros), podem ou não estar alterados. O diagnóstico conclusivo e o tratamento são feitos pela videolaparoscopia.

Endometriose ovariana

Um implante superficial atinge a face externa dos ovários, provoca uma retração para o interior do mesmo e forma cistos. O tamanho dos cistos é variável, e causa alterações na anatomia destes órgãos. O diagnóstico é fácil e feito pelo ultrassom. O tratamento quase sempre é cirúrgico, por videolaparoscopia. O rigor da técnica cirúrgica utilizada é fundamental para que se evite o prejuízo da reserva ovariana, caso contrário, junto com o tecido do cisto, poderá ser retirado também tecido ovariano com óvulos de boa qualidade, podendo levar até à falência ovariana precoce. O cisto pode estar associado à endometriose de outros órgãos, formando aderências. Muitas vezes a paciente não tem sintomas, e o diagnóstico pode ocorrer em um exame ginecológico de rotina. A indicação cirúrgica vai depender do tamanho do cisto, entre outras variáveis.

Endometriose infiltrativa profunda

É a que apresenta sintomatologia mais agressiva, comprometendo o bem-estar e a qualidade de vida das pacientes. Pode interferir na fertilidade mesmo quando são usadas as técnicas de reprodução assistida. Os implantes são extensos, alcançando uma profundidade superior a 0,5 cm, e envolvem outros órgãos, como os ligamentos útero-sacros (que sustentam o útero), bexiga, ureteres, septo reto-vaginal (espaço entre reto, o útero e a vagina) e intestino. Nestes últimos, formam nódulos que atingem o reto, sigmoide, órgãos genitais, vagina e algumas vezes o intestino grosso e íleo. A origem mais provável é a metaplasia (que significa a transformação de um tecido embrionário em outro diferente).
Principais locais da região pélvica onde podem ser encontrados focos de endometriose
endometriose


TRATAMENTOS

Tratamento cirúrgico

O tratamento da endometriose profunda é sempre cirúrgico. Feito por videolaparoscopia, é extremamente complexo e exige médicos qualificados e experientes neste tipo de intervenção. Deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar que tenha pelo menos um ginecologista e um cirurgião geral especializados em cirurgia pélvica e com conhecimento da abrangência e do envolvimento da doença com os outros órgãos. O planejamento da cirurgia deve ser feito com antecedência, para que a paciente saiba das possíveis implicações, como a possibilidade de ressecção de uma parte do intestino (retosigmoidectomia), caso haja um comprometimento de várias camadas deste órgão, além de eventuais complicações. Tanto a paciente, como a equipe devem estar prontos para estas possibilidades. O preparo intestinal pré-operatório é obrigatório para que a intervenção possa ser feita com tranquilidade .

Restauração da fertilidade: as cirurgias radicais para a cura da endometriose podem ser eficazes sem a retirada do útero ou ovários. As intervenções devem ser bem indicadas e podem ser realizadas com técnicas conservadoras, sem prejudicar o futuro reprodutivo da mulher ou, muitas vezes, restaurando a anatomia do aparelho reprodutor quando ele estiver deformado pela doença. Pelos detalhes e pela complexidade que envolve este tipo de intervenção, o tempo de duração do procedimento cirúrgico pode ser longo, estender-se por até seis horas, dependendo da quantidade de camadas de tecidos e órgãos envolvidos.

Tratamento clínico

Pode ser indicado após o tratamento cirúrgico, mas somente em casos especiais. O tratamento clínico com anti-inflamatórios e pílulas anticoncepcionais antes da intervenção ajuda a amenizar a dor, mas não cura a doença. O tratamento hormonal com objetivo de suspender a menstruação provocando uma menopausa temporária, após a cirurgia, tem demonstrado vantagens em casos isolados, e por isto não deve ser receitado como rotina; caso seja indicado, a duração não deve ser superior a seis meses. O tratamento clínico isolado, sem cirurgia, não tem valor curativo.

INFERTILIDADE X ENDOMETRIOSE

A associação da endometriose com a fertilidade tem sido alvo de discussão há muitos anos. Os debates em torno das proporções em que esta doença afeta a capacidade da mulher de ter filhos têm causado, por muitas vezes, um “vai e vem” nas condutas e tratamentos médicos. Todos os tipos e graus de endometriose podem influenciar a fertilidade, entretanto, frequentemente o diagnóstico não é tão evidente e fica como última opção na pesquisa, entre outras causas de infertilidade. Esta demora na iniciativa da pesquisa da doença pode ser causada pela superficialidade dos sintomas, pela inconsistência das queixas clínicas e pela falta de evidências laboratoriais dos exames de sangue e ultrassom endovaginal. Somente após passar certo período, no qual foram realizados tratamentos sem sucesso, é indicada a videolaparoscopia, que conclui o diagnóstico. A espera por este esclarecimento atrasa a concepção e prolonga o sofrimento do casal.

A endometriose causa infertilidade pelos seguintes fatos:

• Influencia o hormônio no processo de ovulação e na implantação do embrião.
• Altera também os hormônios prolactina e prostaglandina, que agem negativamente na fertilidade.
• Prejudica a liberação do óvulo dos ovários em direção às trompas.
• Interfere no transporte do óvulo pela trompa, tanto pela alteração inflamatória causada pela doença como por aderências (as trompas “grudam” em outros órgãos e não conseguem se movimentar).
• Provoca alterações imunológicas – alterações celulares responsáveis pela imunologia do organismo (células NK, macrófagos, interleucinas etc.).
• Interfere na receptividade endometrial. O endométrio, tecido situado no interior da cavidade uterina, local onde o embrião se implanta, sofre a ação de substâncias produzidas pela endometriose (ILH e LIF – leukemia innibitory factor), que atrapalham a implantação do embrião.
• Causa alterações no desenvolvimento da gestação. Pode interferir no desenvolvimento embrionário e aumentar a taxa de abortamento.

Observação: o tratamento pela reprodução assistida (fertilização in vitro) pode evitar a ação da maioria destes mecanismos que atrapalham a fertilização e, por isto, esta pode ser uma ótima saída para a resolução do problema. Entretanto, mesmo com estas técnicas, a endometriose pode diminuir as chances de resultados positivos e ser necessário o tratamento cirúrgico por videolaparoscopia.

FISIOTERAPIA

A fisioterapia pode atuar melhorando algumas sintomatologias, por exemplo: as cólicas menstruais, a tensão muscular e a constante fadiga. A atividade física localizada, orientada por um fisioterapeuta, pode melhorar a mobilidade pélvica e a percepção corporal, prevenindo a instalação de contraturas musculares, inclusive nos dias de sangramento. Isso impede que a tensão secundária ao quadro se instale, levando à incapacidade. Além disso, a atividade aeróbica também é recomendada, uma vez que auxilia a produção de substâncias analgésicas e melhora a resposta imunológica da mulher, além de refletir numa maior disposição física pela resposta cardiorrespiratória do exercício aeróbico. Portanto, a fisioterapia pode auxiliar a paciente portadora de endometriose promovendo atividades corporais que possibilitem a melhora em suas atividades cotidianas, pessoais e profissionais, e desta forma melhorem, também, o aspecto emocional da mulher.

ACUPUNTURA

A acupuntura é um dos setores da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), e visa restabelecer a circulação de energia dos meridianos, dos órgãos e das vísceras e com isso levar a harmonia de energia e de matéria para todo o corpo.

ALIMENTAÇÃO, MEIO AMBIENTE E HÁBITOS

A alimentação é importante para evitar várias doenças do corpo humano. O sistema imunológico também influencia diretamente no desenvolvimento das mesmas, podendo prejudicar principalmente as pessoas que moram em grandes cidades com alto grau de poluição atmosférica. A dioxina, por exemplo, é uma substância tóxica proveniente da combustão de produtos orgânicos e está presente no ar que respiramos e em alguns alimentos que ingerimos. Trabalhos científicos demonstram sua possível interferência no desenvolvimento da endometriose. Estes fatores em conjunto podem piorar a evolução da doença e, por isso, uma dieta balanceada e um estilo de vida adequado ajudam a prevenir o surgimento ou o agravamento deste problema de saúde. A endometriose é uma doença da mulher moderna e está relacionada com ansiedade, estresse e depressão, proveniente de uma exaustiva jornada de trabalho dentro e fora de casa.

Um hábito intestinal normal e regular é imprescindível. A paciente que não evacua regularmente tem retenção de material fecal e aumento de toxinas, e muitas delas deprimem o sistema imunológico. Alimentos ricos em cereais e fibras ajudam a melhorar o ritmo intestinal. A dieta deve ser balanceada, dando-se preferência por vegetais sem agrotóxicos, pois estes prejudicam a imunidade. Os exercícios físicos devem ser incentivados.

O peso em excesso deve ser evitado, pois a obesidade, além de ajudar a piorar as dores pélvicas, faz com que o acúmulo de gordura aumente a produção de hormônios femininos (estrogênio), que agravam a doença. Mais detalhes sobre a dieta ideal para o tratamento coadjuvante da Endometriose serão apresentados a seguir.

ASPECTOS NUTRICIONAIS NA ENDOMETRIOSE

Diversas teorias relacionam o efeito positivo da alimentação sobre a progressão e a agressividade da endometriose. Essa relação ocorre porque a endometriose é uma doença estrogênio-dependente, o que significa que os níveis desse hormônio no organismo podem interferir na progressão da doença.

Visto que inúmeros alimentos e compostos químicos estão relacionados com a liberação estrogênica, é possível controlar parte dessa produção hormonal através de ajustes no padrão alimentar. Altas taxas de sucesso vêm sendo alcançadas com mudanças no comportamento alimentar e no estilo de vida para alívio dos sintomas causados pela endometriose.

Diversos estudos relacionam a melhora das dores com algumas intervenções nutricionais pontuais, como:

1. aumento do consumo de fibras na dieta;
2. substituição de gorduras animais por óleos de boa qualidade;
3. consumo adequado de vitaminas antioxidantes.

Essas intervenções serão detalhadas a seguir.

Aumento do consumo de fibras na dieta

Quando falamos em fibras, referimo-nos a carboidratos não digeridos facilmente pelo organismo. Essas fibras devem estar presentes diariamente na rotina da mulher com endometriose e podem ser divididas em dois tipos: fibras solúveis e insolúveis (em água).

Principais fontes de fibras:

Solúveis:

Aveia
Frutos (maçã, pera, morango, mamão, mirtilo)
Leguminosas (feijões, ervilha, lentilha, soja e grão-de-bico)
 

Insolúveis:

Grãos integrais (trigo, cevada)
Frutas com casca ou bagaço
Vegetais folhosos (alface, espinafre, escarola)
Milho

As fibras solúveis auxiliam na redução dos níveis de colesterol, pois ao passarem pelo intestino elas se “ligam” ao colesterol ajudando o corpo a eliminá-lo, reduzindo, assim, seus níveis sanguíneos. As fibras solúveis também contribuem com a redução dos níveis séricos de estrógeno.

Em geral, as fibras também favorecem a formação de uma flora intestinal mais saudável, pois o funcionamento adequado do intestino da mulher com endometriose também está envolvido na melhora do quadro de dor.

A suplementação de ácidos graxos essenciais na dieta, como ômega 3, também vem demonstrando grandes resultados no alívio da dor, por possuírem efeito positivo sobre os indicadores inflamatórios. Inúmeras pesquisas com diferentes óleos vêm sendo realizadas com o objetivo de comprovar a sua eficácia no tratamento da endometriose, já que a inflamação é uma das características na fisiopatologia da doença.

Óleos essenciais

Outra observação realizada recentemente com base em relatos de casos e experiências pessoais de entrevistadas relacionou o alívio de dor com a suplementação do ácido graxo essencial ômega 3 na dieta. Os ácidos graxos são gorduras poli-insaturadas encontradas em alimentos como peixes, óleos vegetais e oleaginosas, como nozes e amêndoas.

Estes óleos podem reduzir os níveis do mediador inflamatório denominado prostaglandina. O mesmo benefício não foi observado com a suplementação do ácido graxo ômega 6, devendo, então, ser priorizado o consumo de alimentos fontes de ômega 3.

Sabe-se que, quando ingeridos, os ácidos graxos são convertidos em novos ácidos através de processos metabólicos. Estas conversões podem originar compostos que vão atuar como mediadores da resposta inflamatória comum na endometriose. Entre esses, encontram-se os diferentes tipos de prostaglandinas que podem atuar como pró-inflamatórias, que aqui chamaremos “más prostaglandinas”, ou anti-inflamatórias, as “boas prostaglandinas”.

Observa-se com maior frequência uma predominância no consumo de gorduras saturadas e trans no hábito alimentar atual. Nota-se também que a dieta ocidental apresenta maior consumo de gorduras como o acido linoléico (LA), que quando metabolizado se transforma em ômega 6, e baixa ingestão de gorduras formadas pelo ácido linolênico (ALA), ou ômega 3.

Quando ingerido, o ômega 6 (LA) é desnaturado e convertido em ácido aracdônico (AA), que, através de processos metabólicos, transforma-se em prostaglandinas pró-inflamatórias (as “más’), responsáveis pela vasodilatação e pela dor no processo inflamatório da endometriose.

Diferente do LA, o ALA ao ser desnaturado não é convertido em AA, mas em ácidos graxos eicosapentaenóico (EPA), precursor de outras prostaglandinas que têm efeito anti-inflamatório, diminuindo a intensidade da inflamação e a dor.

Desta forma, conclui-se que o ácido linolênico (ALA), ou ômega 3, pode controlar positivamente o balanço dos agentes pró e anti-inflamatórios e, por essa razão, vem sendo empregado como uma alternativa no controle da inflamação e dos sintomas da endometriose.

Ácidos graxos essenciais

Fonte de ômega 3 – efeito anti-inflamatório na endometriose:
Óleo de peixes* (salmão e sardinha)
Óleo de prímula
Sementes (em especial semente de linhaça, óleos de cardamomo)
Óleos vegetais (soja, girassol, canola, linhaça, gergelim e óleo de milho)
Oleaginosas (nozes, amêndoas, castanhas, avelãs e macadâmias)
Peixes gordos e de águas frias (sardinha, atum, salmão, meca e arenque)

Fonte de ômega 3 – efeito anti-inflamatório na endometriose:

* Para evitar o risco de toxicidade da vitamina A, não consumir mais de uma colher de chá de óleo por dia.
Fontes de ômega 6 – efeito pró-inflamatório na endometriose:
Carne vermelha
Produtos lácteos
Margarina
Óleos processados     Idade
Alto consumo de álcool (bebidas alcoólicas)
Dieta com alto colesterol
Hormônios relacionados com o stress
Diabetes
Deficiência em vitamina B6, zinco, magnésio e cálcio

Atenção

Peixes criados em cativeiro não contribuem significativamente com a ingestão de ômega 3, e podem, muitas vezes, ser prejudiciais, devido ao alto grau de contaminação com poluentes utilizados na criação e o tratamento da água. Peixes criados artificialmente são alimentados com rações e não possuem em sua composição as mesmas concentrações de ácido graxo; portanto, certifique-se de que o pescado é procedente de águas marinhas antes de adquiri-lo.

Há ainda outro óleo descoberto recentemente e pouco estudado até o momento, o ácido graxo não essencial ômega 9, que também parece ter relação com os processos inflamatórios. Este ácido graxo, produzido pelo organismo a partir de outros óleos, também pode diminuir a intensidade da inflamação, mas esse mecanismo ainda não foi bem esclarecido e mais estudos na área serão necessários para empregar seu uso.

Principais fontes de ômega 9:

Óleos vegetais (canola, gergelim, girassol e soja)
Óleo de palma
Semente de uva
Peixes como tubarão e bacalhau

Mesmo que a perspectiva de seu uso como medicamento seja controverso, deve-se considerar que a ligação bioquímica entre os nutrientes e a inflamação na endometriose é a base científica de uma constatação prática: mulheres que se alimentam melhor têm melhor controle da dor causada pela endometriose.

Nutrientes antioxidantes

A inflamação está associada ao aumento da produção de radicais livres no organismo. Tendo em vista este fato, pesquisadores têm demonstrado que há um aumento na concentração de marcadores de estresse oxidativo nas pacientes com endometriose. Este aumento desencadeia uma série de respostas imunes e inflamatórias, aumentando assim o dano nas células. Quando tal situação persiste, esta acaba provocando um desequilíbrio na resposta inflamatória do organismo, desencadeando uma condição crônica e ocasionando a dor.

Com o intuito de diminuir esse processo contínuo de estresse oxidativo, vem sendo amplamente estudada a possibilidade de tratamento com alimentos e suplementação nutricional que possuem ação antioxidante.
A presença de nutrientes antioxidantes, como as vitaminas A, C, E e do complexo B, bem como minerais como zinco, selênio e magnésio, confere papel protetor contra a ação de radicais livres e, em alguns casos, coadjuvante no tratamento das complicações da endometriose.

Vitamina A

Esta vitamina vem sendo utilizada em forma de suplementos no tratamento de doenças associadas com o estresse oxidativo, como no caso da endometriose, pois atua diretamente no sistema imunológico e pode prevenir algumas doenças degenerativas. Em situações de estresse, uma alta concentração de vitamina A é recomendada para estimular o sistema imunológico, muitas vezes enfraquecido pelo estresse.

O betacaroteno, o mais importante precursor da vitamina A, possui grande efeito antioxidante e pode ser encontrado em vegetais verde- -escuros, amarelos e alaranjados (como cenoura, batata-doce e abóbora), em frutas com essa mesma coloração (melão, papaia, manga, carambola, pêssego) e em produtos de origem animal.

Para sua perfeita absorção no organismo, alimentos ricos em vitamina A precisam estar combinados com alimentos fontes de zinco, e sua participação é fundamental para a conversão do betacaroteno em sua forma ativa.

Não é recomendada suplementação medicamentosa de vitamina A, pois seu excesso é acumulado no fígado, podendo causar toxicidade (excesso de determinado nutriente no organismo).

Vitamina C

Esse potente antioxidante faz com que alimentos fontes de vitamina C e suplementos a base desse ácido ofereçam proteção contra a descontrolada oxidação que ocorre no interior da célula, pois atua diretamente na eliminação destes compostos, promovendo alívio no processo inflamatório.

A vitamina C parece agir também como um anti-histamínico natural, reduzindo a severidade do ataque da histamina presente no processo inflamatório. Seu principal precursor é o acido ascórbico, que pode ser encontrado em frutas cítricas como laranja, limão, carambola, abacaxi e caju, em vegetais folhosos, tomate e pimentão.

Vitamina E

A vitamina E é mais um importante antioxidante que exerce função semelhante aos demais no combate à ação de radicais livres no organismo. Além de seu papel antioxidante, estudos realizados recentemente apontam que a vitamina E também produz um forte efeito analgésico, causado pela ação inibidora da produção de prostaglandina, um agente envolvido na inflamação.

Esta vitamina atua progressivamente no combate a inflamação, e, por isso, seu consumo deve ser diário e em doses ideais para obter esse efeito.

Pode ser encontrado em alimentos como sementes de abóbora, óleo de oliva, vegetais verde-escuros, cereais integrais, abacate, salmão e ovos. Estes alimentos são constituídos de quatro formas diferentes de Vitamina E, mas é o tocoferol, seu principal precursor, que representa a forma antioxidante mais potente.

Vitaminas A, E e C: orientações dietéticas

Boas fontes de vitamina E:
Óleos vegetais
Margarina
Gérmen de trigo     Semente de girassol
Oleaginosas (amêndoas, avelãs)
Alimentos integrais

Boas fontes de vitamina A:
Óleo de fígado de bacalhau e óleos de peixe
Vísceras, queijo e leite com baixo teor de gorduras
Damascos, pêssegos e melão cantalupo
Vegetais verde-escuros (espinafre, couve, chicória, repolho crespo, nabo)
Vegetais amarelo-escuros (abóbora, batata-doce americana, cenoura)

Boas fontes de vitamina E:

Frutas cítricas
Morangos
Pimentas e pimentões
Tomates
Batatas brancas
Couve-flor     Melão cantalupo
Repolho
Couve de bruxelas
Batata-doce
Brócolis
Mamão papaia

Alimentos que são fontes de ambas, vitaminas A e C:

Abóbora
Tomates
Melão cantalupo
Couve, mostarda e nabo     Manga
Mamão apaia
Vegetais verde-escuros

Vitaminas do complexo B

As vitaminas do complexo B, particularmente a B6 ou piridoxina, são frequentemente recomendadas para mulheres com endometriose.

O fígado é dependente de vitaminas do complexo B para produzir enzimas que quebrem o estradiol – a forma mais ativa do estrogênio – e que o convertam em estriol – a forma de estrógeno que não atua na proliferação desordenada do tecido endometrial.

As reservas de vitaminas do complexo B no organismo podem ser reduzidas em virtude de diferentes fatores, como consumo excessivo de alimentos ricos em açúcar, pães e outros carboidratos refinados, álcool e café, estresse e uso de antibióticos.

Por essas razões, faz-se necessário garantir o consumo adequado dessas vitaminas para controle e combate da inflamação causada pela endometriose. Segue abaixo um resumo das principais propriedades nutricionais de cada vitamina do complexo B, bem como suas principais fontes alimentares.

Vitamina B1

A vitamina B1, mais conhecida como tiamina, cuja deficiência está caracterizada pela presença de distúrbios musculares, pode também estar associada com os distúrbios menstruais, característicos na endometriose. Sua deficiência também parece acarretar na inibição da ovulação, já que tem papel fundamental na produção dos hormônios ovarianos.

Como seu efeito parece estar relacionado com a morfina, seu consumo é amplamente recomendado, pois algumas pesquisas demonstraram que, quando ingerida em altas doses, a vitamina B1 pode suprimir a transmissão de dor.

As principais fontes de vitamina B1 são: ervilhas, feijão, nozes e ostras.
Vitamina B6

Algumas hipóteses relacionam o consumo regular e adequado de vitamina B6 com a supressão da dor no tratamento de mulheres com endometriose. É recomendável que seja ingerida junto com magnésio, pois, combinados, esses nutrientes atuarão na diminuição das cólicas menstruais e da produção das prostaglandinas inflamatórias.

Pode ser facilmente encontrada em grãos integrais, banana, oleaginosas, semente de girassol, abacate, brócolis e grão-de-bico.

Vitamina B12

Acredita-se que a vitamina B12 está correlacionada com a resposta inflamatória da célula, regulando a intensidade da inflamação.

Quando consumida junto com as vitaminas B1 e B6, elas podem produzir uma dose significativa de potentes compostos envolvidos no alívio da dor. Seus principais alimentos fonte são os produtos de origem animal, tais como laticínios, ovos, peixes e carnes.

Vitaminas do complexo B

Alimentos ricos em vitaminas do complexo B
Carne, frango e peixe, especialmente o salmão – fique atento ao consumo
destes alimentos, como carne vermelha, já que eles podem aumentar os níveis
das “más prostaglandinas”, além de existir a possibilidade de alguns peixes
estarem contaminados com agentes poluentes.
Ovos e laticínios – novamente, atenção aos níveis de “más prostaglandinas”!
Prefira alimentos orgânicos.
Leguminosas: semente de girassol, soja, grão-de-bico, lentilhas, feijão branco
e oleaginosas.
Levedura de cerveja
Alimentos integrais
Arroz integral
Alimentos e condições que reduzem os níveis de vitamina B no organismo
Carboidratos refinados
Cafeína
Álcool
Estresse
Açúcar

Vitaminas do complexo B

Sintomas associados à deficiência de vitamina B

Falta de memória, irritabilidade, depressão, déficit de concentração – especialmente
com a deficiência de vitamina B1 (tiamina)
TPM e depressão – por deficiência de vitamina B6 (piridoxina)
Fissuras no canto da boca, língua com fissuras e avermelhada, áreas escamosas
ao redor do nariz – associadas à deficiência de vitamina B2.
Palidez, fadiga e anemia – por deficiência de vitamina B12.

Cobre

O efeito antioxidante do cobre foi citado algumas vezes por alguns estudos, mas sua ação direta na redução dos radicais livres não está bem esclarecida. Acredita-se que quando ingerido em conjunto com o zinco, ocorre a constituição de uma importante enzima, a superóxido dismutase, que é um componente do sistema imunológico contra a produção de radicais livres e, consequentemente, redução na agressividade da inflamação.

Pode ser encontrado em alimentos como ostras, fígado, nozes, castanhas e leguminosas.

Zinco

O zinco é um poderoso conservador da membrana celular, conferindo proteção extra às células contra a ação dos radicais livres.

Atualmente tem-se avaliado também o efeito anti-inflamatório do zinco, pois sabe-se que ele atua no processo inibitório da secreção de histamina e na liberação de mediadores pró-inflamatórios, reduzindo, dessa forma, o processo como um todo.

Este mineral pode ser encontrado em carnes bovinas, fígado, peixe, frutos do mar, aves, ovos, leite e derivados, cereais e oleaginosas.

Selênio

Este mineral também apresenta um potente efeito antioxidante, sendo útil para os efeitos anti-inflamatórios e aumentando a resposta imunológica. Dentre os minerais com ação antioxidante reconhecida, o selênio é o mais potente de todos, podendo ter seus efeitos comparados aos das vitaminas E e C.

Alguns estudos comprovaram que a suplementação de selênio quando combinada com vitamina E demonstraram efeito positivo sobre a inflamação na endometriose. O selênio protege as células contra a oxidação descontrolada do organismo e pode ser utilizado no tratamento para alívio dos sintomas da endometriose.

Grãos e cereais são boas fontes de selênio, dependendo da concentração de selênio no solo e água onde crescem. Outras ótimas fontes são: peixes, frutos do mar, carne bovina, vísceras, aves, produtos à base de cereais integrais, como pães, e oleaginosas como castanha, amêndoa e pistache.

Fontes alimentares de alguns minerais
Cobre
Frutos do mar (especialmente
ostras e crustáceos)
Aves
Carne bovina
Vísceras (fígado e rins)
Oleaginosas (nozes, castanhas,
pistache)     Leguminosas secas (farinha de
soja é uma excelente fonte, assim
como lentilhas)
Chocolate amargo (o cacau é rico
em cobre) e açúcar mascavo
Cereais
Semente de Girassol
Frutas secas

Fontes alimentares de alguns minerais
Zinco
Carnes e laticínios
Peru e galinha (partes escuras)
Carne bovina e de carneiro
Frutos do mar (ostras e caranguejos)
Ovos e queijos     Semente de abóbora e girassol
Grão-de-bico, lentilhas, feijões, e
soja
Castanha do Brasil, amêndoa, nozes
e pistache
Aveia em flocos
Cereais integrais
Selênio
Grãos e cereais – dependendo da concentração de selênio no solo e água
onde crescem – e produtos integrais (farinha de trigo integral, grãos de
aveia, arroz integral e pães)
Peixes (salmão e atum)
Frutos do mar (caranguejo, camarão)
Carne bovina e de aves – vísceras (fígado)
Oleaginosas (castanhas – a castanha do Brasil é a principal fonte –,
amêndoa e pistache)
Vegetais (alfafa, repolho, mostarda, brócolis e couve-flor)
Cogumelos

Resveratrol

Apesar de poucos estudos terem sido realizados até o momento com esse antioxidante em humanos, acredita-se o resveratrol age inibindo a produção de colesterol pelo organismo, reduzindo a produção de compostos para desenvolver a inflamação.

Alguns estudos mostraram que o resveratrol pode estar ligado a um risco reduzido de inflamação e formação de coágulos sanguíneos, fatores que podem levar a doenças cardíacas. Mais estudos são necessários antes de empregar seu uso no combate a inflamações no tratamento da endometriose.

Este antioxidante pode ser encontrado principalmente nas cascas das uvas, no vinho tinto, em castanhas e em algumas frutas vermelhas, como ameixa e cereja. Esta é a substância à qual se atribui o efeito benéfico de doses baixas diárias de vinho para a saúde cardiovascular.

A alimentação inadequada também está relacionada com o aumento do risco de desenvolvimento da endometriose. Pesquisas realizadas recentemente demonstraram que o alto consumo de carnes vermelhas e o consumo excessivo de embutidos (presunto, mortadela, peito de peru defumado e etc.) aumentam significativamente as chances de desenvolvimento da endometriose. Foi constatada a possibilidade de as gorduras saturada e trans, presentes nesses alimentos, interferirem no organismo de uma forma que aumente a susceptibilidade ao desenvolvimento da doença.

Após a descoberta desse dado, novos estudos foram além e estudaram a influência direta entre gordura e a fisiopatologia da endometriose. Em resumo, foram encontradas evidências de que as mulheres que consumiam a quantidade máxima de ingestão de gordura animal (30 % do valor calórico total diário) apresentaram um risco 20% maior de desenvolver endometriose do que aquelas que ingeriam quantidades menores dessas gorduras.

Em contrapartida, somente o alto consumo de vegetais folhosos e frutas frescas orgânicas apresentou papel protetor no desenvolvimento da endometriose, pois eles atuaram diretamente na prevenção do crescimento desordenado do tecido endometrial e na produção de estrógeno.

SUBSTÂNCIAS PRESENTES NOS ALIMENTOS QUE PODEM AGRAVAR A DOR

As substâncias xenoestrogênicas mais conhecidas e estudadas atualmente são: dioxinas, bisfenol A, endosulfan, furanos, hexaclorobenzeno, lindano e nonylphenol.

Esses compostos químicos, quando em contato com o organismo, podem “confundir” os receptores celulares de estrógeno, interferindo nas respostas bioquímicas e aumentando a concentração desse hormônio que estimula o crescimento das células endometriais e, assim, torna-se responsável pelo agravamento dos quadros de dor na endometriose.

Alimentos industrializados, produzidos com excesso de gordura hidrogenada, farinha e açúcar refinados, podem veicular altas doses de estrogênios sintéticos por possuírem em seu processo de industrialização muito desses compostos empregados no refinamento e na conservação de tais alimentos. Produtos industrializados também são armazenados em embalagens plásticas ou metálicas por um longo período, e esse processo favorece a absorção desses poluentes pelo alimento.

O enrijecedor de plástico, também conhecido como bisfenol A – encontrado em substâncias plásticas como utensílios domésticos, potes, embalagens, mamadeiras, entre outras – foi descrito como “disruptor endócrino”, ou seja, substância química obtida pela alimentação ou do meio externo que age como “falso hormônio” no sistema endócrino, podendo causar alteração no funcionamento dos hormônios naturais, com prejuízo no funcionamento do sistema reprodutor.

Alimentos de origem animal são a maior fonte de substâncias hormonalmente ativas, pois o tecido gorduroso e produtos à base de gordura animal, como leite e seus derivados, são grandes retentores de xenoestrogênios, bem como antibióticos, drogas veterinárias e hormônios para estímulo do crescimento.

A administração de hormônios em animais de corte no Brasil, na maioria dos casos, não possui uma fiscalização muito efetiva, e frequentemente são encontradas doses superiores aos limites legais, e esse excesso é ingerido e armazenado no organismo via alimentação.

RECOMENDAÇÕES DIETÉTICAS PARA ALÍVIO DA DOR:

A dor é uma impressão orgânica desagradável percebida pelo sistema nervoso que pode variar entre um leve desconforto e uma sensação angustiante que se expressa através de uma reação física ou emocional.

A dor está, quase sempre, relacionada com a resposta inflamatória do organismo e, mais especificamente, como visto anteriormente, com a presença de mediadores que potencializam essa sensação, como as prostaglandinas e os leucotrienos.

Desta forma, acredita-se que uma dieta composta de alimentos que auxiliem no controle dos níveis estrogênicos, associada a alimentos que possuam propriedades anti-inflamatórias e analgésicas, seja uma intervenção eficiente no controle dos sintomas da endometriose.

De acordo com os estudos na área sobre alimentos que potencialmente elevam os níveis de estrogênio, o médico americano Ori Hofmekler e autor do livro The anti estrogenic diet, ainda sem tradução no Brasil, afirma que é possível reduzir a exposição a esses hormônios modificando alguns hábitos e substituindo alguns alimentos da rotina.

Segundo ele, o estrogênio em excesso no organismo pode provocar diversas reações como acúmulo excessivo de gordura, dificuldade para emagrecer, aumento do estresse oxidativo celular, agravamento do processo inflamatório e aumento de dor em processos de inflamação aguda, como nos casos de endometriose. Uma série de substâncias químicas produzidas pela indústria estão presentes em diferentes produtos do nosso uso diário.

Essas substâncias, também conhecidas como poluentes ambientais ou “POPs”, poluentes orgânicos persistentes, foram identificadas como xenoestrogênios e possuem efeito comprovadamente negativo sobre o sistema endócrino e reprodutor, pois são capazes de aumentar a produção de estrógeno pelo organismo. No livro, o médico se refere a esses compostos como «venenosos”, especialmente aqueles encontrados em anticoncepcionais, agrotóxicos, hormônios, adubos e embalagens plásticas de alimentos.

Alguns alimentos devem ser excluídos e outros priorizados no hábito alimentar de pessoas que buscam o controle da produção de estrógeno através da alimentação. Alimentos não orgânicos, carnes vermelhas, aves criadas em cativeiros, bebidas alcoólicas, doces, produtos industrializados e adoçantes artificiais devem ser fortemente evitados.

Já os alimentos orgânicos, especialmente frutas e vegetais verde-escuros, peixes de água fria, cebola e alho, óleos vegetais, sementes de oleaginosas, como nozes e amêndoas, temperos naturais e alguns condimentos devem ser inseridos diariamente na rotina alimentar de pessoas que pretendem diminuir sua exposição aos compostos capazes de elevar os níveis de estrogênio.

Vegetais verde-escuros (brócolis, couve-flor, couve-de-bruxelas e repolho): são considerados os alimentos mais importantes dentro de uma dieta antiestrogênica e anti-inflamatória. Esses vegetais possuem um composto químico denominado indol, que apresenta a capacidade de alterar o metabolismo do estrogênio e produzir efeito antioxidante benéfico sobre diferentes células do organismo.

Linhaça, óleo de linhaça, óleos vegetais e peixes (criados na natureza, não em cativeiro): são excelentes fontes de ácidos graxos essenciais, também conhecidos como ômega 3, e parecem possuir a capacidade de equilibrar o metabolismo de estrogênio produzido pelo corpo.

Alho e cebola: dois importantes alimentos antiestrogênicos, pois possuem a quercetina em suas composições, um importante antioxidante que parece inibir a ação de enzimas envolvidas na produção excessiva de estrógeno.

Oleaginosas e sementes: estudos recentes relacionam o consumo desses grupos alimentares com o aumento dos níveis de progesterona no organismo feminino e testosterona no organismo masculino.

Frutas, verduras, legumes e temperos naturais: acredita-se que esses alimentos podem fornecer nutrientes que ajudam a controlar a produção excessiva de estrogênio e, dessa forma, reduzir sua concentração sérica.

Leites e seus derivados: esse grupo de alimentos também vem sendo amplamente estudado com o objetivo de avaliar seus efeitos benéficos sobre a produção de estrógeno. Além das suas qualidades nutricionais amplamente esclarecidas, encontram-se evidências de que o consumo regular desses alimentos possa controlar a síntese de estrogênio através de substâncias presentes na gordura desses alimentos.

No entanto, esses efeitos somente podem ser garantidos em alimentos orgânicos, pois a presença de hormônios, o uso de antibióticos em animais criados em cativeiros e o emprego de pesticidas em frutas e vegetais podem diminuir os benefícios do consumo desses alimentos.

Contudo, nenhuma abordagem nutricional pode ser desenvolvida para aliviar a dor pélvica completamente ou imediatamente, e recomenda-se que a dieta ou a suplementação sejam mantidas por um período mínimo de quatro meses.

Por essas e todas as outras razões citadas anteriormente, faz-se necessário buscar um padrão alimentar que favoreça a ingestão adequada de nutrientes e o baixo consumo de alimentos carreadores desses compostos agressores.

Dieta mediterrânea

As práticas alimentares da dieta mediterrânea também são recomendadas no tratamento da endometriose. Em um estudo específico realizado com mulheres portadoras da doença, a dieta foi praticada durante cinco meses. Ao final desse período, a maioria já havia apresentado redução significativa nos sintomas das cólicas menstruais, dor na penetração durante a relação sexual e dificuldade ou dor para evacuar.

TERAPIA NUTRICIONAL NA ENDOMETRIOSE

Com o intuito de prevenir o desenvolvimento de endometriose, impedir sua progressão ou diminuir os sintomas, uma mudança no estilo de vida como um todo deve ser considerada. Sendo assim, a mudança na alimentação é um fator essencial, e, como citado anteriormente, ela tem como objetivo melhorar as manifestações ou a progressão da doença quando instalada.

Na falta de dados que confirmem a relação de um alimento ou nutriente específico na prevenção ou tratamento da endometriose, é recomendado um novo padrão alimentar, mais completo e com baixo a moderado consumo de determinados alimentos.

Seguem abaixo algumas sugestões de alterações no padrão alimentar, com o objetivo de contribuir com o alívio ou melhora nos sintomas da endometriose:

• evitar o consumo de alimentos industrializados, embutidos ou ultraprocessados, como frios, linguiça, salsicha, hambúrguer, biscoitos, pães e doces refinados, molhos e temperos prontos e preparações enlatadas;
• reduzir o consumo de carne vermelha e aves, especialmente aquelas não orgânicas ou de procedência desconhecida;
• aumentar o consumo de peixes e frutos de mar, devido às altas concentrações de ácidos graxos ômega 3 presentes nesses alimentos;
• diminuir ou, em alguns casos, evitar o consumo de leite e seus derivados quando estes não forem orgânicos, devido às altas doses de hormônios e antibióticos presentes na gordura animal;
• aumentar o consumo de frutas, vegetais e legumes frescos livres de pesticidas e, de preferência, de acordo com a tabela de sazonalidade dos alimentos (em anexo);
• aumentar a ingestão de líquidos e fibras, de preferência solúveis, como aveia e farelo de trigo, com o objetivo de manter as funções intestinais;
• substituir as gorduras saturadas e monossaturadas empregadas no preparo dos alimentos por óleos ricos em ômegas 3, presentes em óleos vegetais como canola, algodão ou linhaça e oliva;
• garantir o consumo recomendado de alimentos ricos em vitaminas antioxidantes, A, C, E e do complexo B, como frutas cítricas, vermelhas e alaranjadas, vegetais verde-escuros e cereais integrais;
• priorizar o consumo de carboidratos integrais, com o objetivo de manter os níveis de glicose e insulina sanguínea adequados; • reduzir ou suspender a ingestão de álcool;
• manter o peso ideal, mesmo que para que isso ocorra seja necessária a perda de peso.

Modelo de cardápio para mulheres com endometriose

Café da manhã

Suco de laranja
Pão de linhaça
Manteiga de azeite e ervas

Lanche da manhã

Mamão com farelo de aveia

Almoço

Batata assada
Salada de grão-de-bico
Salmão assado
Salada de rúcula e cenoura ralada
Azeite com ervas para temperar
Sobremesa: abacaxi

Lanche da tarde I

Mix de nozes e castanhas

Lanche da tarde II

Iogurte de soja
Linhaça dourada

Jantar

Macarrão integral com brócolis
Filé de frango orgânico grelhado acebolado
Salada de agrião e tomate
Sobremesa: tangerina

Palavra do IPGO

Vale ressaltar que cada pessoa possui uma necessidade nutricional, e
esta é calculada com base no sexo, faixa etária, peso atual, estatura, atividade
física e laboral do indivíduo.

Em posse desses dados, é possível avaliar o consumo atual e propor um
plano alimentar para cada caso, com o objetivo de atingir as recomendações
diárias e garantir o consumo de alimentos que possuem efeito
comprovadamente benéfico no alívio dos sintomas da endometriose.


Fonte: https://www.dietadafertilidade.com.br/endometriose.html