Usar anticoncepcional desde a adolescência pode mascarar a endometriose?
Essa é uma dúvida muito comum principalmente entre mulheres que começaram o uso cedo para regular o ciclo, melhorar a acne ou controlar cólicas.
Sem muitos rodeios, a resposta é sim.
O anticoncepcional pode aliviar sintomas importantes, como dor e alterações menstruais. Mas isso não significa, necessariamente, que a doença deixe de existir ou de evoluir.
Muitos métodos usados na adolescência mantêm o sangramento mensal, enquanto no tratamento da endometriose, em muitos casos, a estratégia hormonal busca reduzir ao máximo o estímulo da doença, frequentemente suspendendo a menstruação.
Isso também se relaciona ao próprio mecanismo da doença. Durante o período menstrual, parte do sangue pode refluir pelas trompas em direção à cavidade abdominal. Quanto maior esse refluxo, maior a quantidade de células do endométrio que pode alcançar a pelve, favorecendo a implantação e a manutenção das lesões em mulheres predispostas.
É importante reforçar que o anticoncepcional é uma ferramenta segura e amplamente indicada em diversas situações, ajudando muitas pacientes a controlar sintomas, melhorar a qualidade de vida e atender diferentes necessidades de saúde. O mais importante é que o uso seja acompanhado e reavaliado ao longo do tempo, especialmente quando existem dores persistentes ou outros sinais que merecem investigação.
Por isso, desconfortos intestinais, dor na relação ou alterações que impactam a qualidade de vida devem ser avaliados por um médico com experiência no cuidado da endometriose.
Cada história é única e informação de qualidade ajuda você a tomar decisões mais conscientes sobre sua saúde.
Dr. Luciano Furtado
Ginecologista especialista em endometriose, dor pélvica e infertilidade
CRM-MG: 27534 | RQE: 18092

