Você já ouviu alguém dizer que a endometriose grau 4 é “a mais profunda”?
Na verdade, essa é uma confusão muito comum.
A classificação da endometriose (graus 1, 2, 3 e 4) e a endometriose profunda são conceitos diferentes.
A classificação em graus leva em consideração principalmente a extensão da doença na pelve, avaliando fatores como a quantidade de lesões, sua localização, a presença de aderências e o comprometimento dos órgãos. Quanto maior o grau, maior tende a ser a disseminação da doença. No grau 4, por exemplo, pode haver acometimento de órgãos nobres, como bexiga e intestino.
Já o termo endometriose profunda se refere à profundidade com que a lesão invade os tecidos, geralmente infiltrando mais de 5 mm abaixo da superfície do peritônio. Ou seja, é uma característica da lesão, e não do grau da doença.
Outro ponto importante é que o grau da endometriose não determina a intensidade da dor.
É possível encontrar pacientes com endometriose grau 4, com importante comprometimento dos órgãos e até alteração da anatomia pélvica, que apresentam pouca ou nenhuma dor.
Da mesma forma, mulheres com endometriose grau 1 podem sentir dores intensas e incapacitantes. Isso acontece porque a dor depende de diversos fatores, como a localização das lesões, o envolvimento de nervos, o processo inflamatório e a resposta individual de cada organismo.
Por isso, a endometriose deve ser avaliada de forma individualizada. O tratamento não é definido apenas pelo grau da doença, mas pelos sintomas, pelo desejo reprodutivo, pelos locais acometidos e pelo impacto que ela causa na qualidade de vida da paciente.
Dr. Luciano Furtado
CRM-MG: 27534 | RQE: 18092

